CBCA | 14/12/2009
As obras nos 10 estádios que serão palco da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, estão em fase final. Algumas das soluções encontradas pelos organizadores do evento podem servir de inspiração para as arenas brasileiras, ainda às voltas com licitações e formulações dos projetos. O aço é elemento fundamental em alguns desses estádios, que no próximo ano mostram ao mundo as especulações arquitetônicas viabilizadas pelo material.
Conheça um pouco da história e da arquitetura dessas arenas, e saiba mais das características peculiares a cada uma delas.
É o Maracanã da África do Sul. O Soccer City vai receber a partida inicial e a final do torneio e foi completamente reformado para o evento. Ele foi construído em meados dos anos 80 e abrigou desde comícios de Nelson Mandela até a disputa pelo título da Copa da África de 1996.
O design atual é inspirado na calabash, argila típica do país. Após as reformas, que incluem uma nova estrutura de cobertura, a arena esportiva terá capacidade para 94.700 espectadores. Ao todo, serão usadas mais de 8 mil toneladas de aço estrutural e 9 mil toneladas de aço de reforço no estádio.
Construído em 1999, o Royal Bafokeng está sendo remodelado para receber cinco jogos da primeira fase e um da segunda etapa da Copa. Ao término das obras, o estádio poderá receber 42 mil espectadores. O seu nome é uma homenagem aos Bafokeng, povo que habita a região de Rustenburgo. O estádio está localizado a 12 quilômetros do centro da cidade.
Aproximadamente 10 mil toneladas de aço de reforço terão sido usadas quando o estádio for concluído. O projeto do estádio foi o grande vencedor do prêmio outorgado pelo Instituto Sul-Africano de Construção em Aço, em setembro deste ano.
Um dos estádios mais antigos da África do Sul, o Loftus Versfeld Stadium é palco de espetáculos esportivos desde a sua construção, em 1903. A partir de então, passou por inúmeras reformas e expansões, tendo recebido grandes jogos de rugby e futebol. O Loftus é a casa dos “Mamelodi Sundowns”, clube de futebol da cidade conhecido como “Os Brasileiros”, devido aos uniformes, que lembram os da Seleção. A capacidade do estádio é de aproximadamente 50 mil espectadores.
O Peter Mokaba é outro estádio que se valeu de elementos locais para criar uma identidade visual que se ligasse à cultura sul-africana. Com uma estrutura em aço que sustenta toda a cobertura, o design do Peter Makoba é inspirado na árvore baobá, muito encontrada na região. O estádio, uma homenagem ao líder sul-africano nascido em Polokwane, deve estar pronto em janeiro de 2010 e poderá receber até 45 mil torcedores.
O nome do estádio vem do siSwati, uma das doze línguas oficiais da África do Sul, e quer dizer “muitas pessoas juntas num espaço pequeno”. Seus 46 mil assentos ficaram prontos no início deste ano. As 18 torres de sustentação da cobertura do Mbombela são feitas em aço e se erguem 30 m. acima do solo. O design desses módulos lembra as girafas, uma menção ao Krueger Park, o maior parque de animais selvagens da África do Sul, localizado perto do estádio. As arquibancadas listradas do Mbombela remetem às zebras africanas.
Encravado no centro de Johanesburgo, o estádio Ellis Park recebeu a final da Copa das Confederações de 2009, na qual o Brasil derrotou os Estados Unidos por 3 a 2. Como o Soccer City, o Ellis Park tem ao menos um momento histórico na lembrança dos sul-africanos: em 1995, Nelson Mandela levantava a taça da Copa do Mundo de Rugby, vencida pela África do Sul. As reformas no estádio possibilitaram um aumento de 57 mil para 62 mil no número de espectadores.
O design do Durban Stadium é baseado na bandeira da África do Sul e na busca por uma unidade nacional. As duas bases do lado sul do arco se encontram acima do centro do campo, e é essa estrutura confluente que desemboca no outro extremo do Moses Mabhida, como o estádio também é conhecido. O arco central, construído todo em aço, tem 350 m. de comprimento e 106 m. de altura pesa 2600 toneladas. Um bonde vai levar os visitantes até o ponto mais alto do estádio, de onde eles terão uma vista panorâmica da cidade e do Oceano Índico.Concebido como uma arena poliesportiva, o estádio que vai receber a partida entre Brasil e Portugal é um dos que oferece mais opções de entretenimento e lazer, além de confortáveis 70 mil assentos para seus torcedores e frequentadores.
Às margens do lago North End, o Nelson Mandela Bay é um dos mais novos estádios da África do Sul projetados exclusivamente para a Copa do Mundo. O estádio, que será palco da disputa pelo terceiro lugar na competição, poderá receber até 18 mil torcedores.
Mais de 3 mil toneladas de aço de reforço vão estar presentes no Nelson Mandela Bay, cuja cobertura será formada por um composto que utilizará 2 mil toneladas de aço.
O estádio que receberá uma das semifinais é um espaço multiuso: além da Copa de 2010, o Green Point poderá abrigar eventos esportivos e artísticos de grande porte. A reforma deve estar concluída até o final deste ano, e mais de 70 mil espectadores poderão assistir às partidas. A localização privilegiada do estádio facilitará a locomoção dos torcedores durante o evento. Eles poderão ir ao estádio e sair dele por meio do transporte público da cidade. O Green Point Common, sobre o qual a nova arena foi erguida, era muito maior do que o projeto atual, que teve de ser adaptado aos padrões técnicos da FIFA.
Com mais de 1,6 mil toneladas de aço, o anel externo de compressão vai estar ligado a um anel de tração interno por 72 cabos radiais, também de aço. A cobertura do Green Point vai ser formada por estruturas em aço com elementos tubulares.
Os trabalhos de reconstrução e remodelagem elevaram a capacidade do estádio de 38 mil para os atuais 48 mil assentos. O Free State recebe partidas de rugby e futebol desde a sua construção, em 1952, e será palco de um dos jogos das oitavas-de-final da Copa de 2010.