Folha de S. Paulo | 10/02/2010
Antes crítico do estádio, Jérôme Valcke, da Fifa, avalia que novo projeto o credencia a ter partida que define finalista.
Governo federal sinaliza que 1° jogo do Mundial deve ocorrer na arena paulista, vista também como favorita no comitê organizador.
De ameaçado de exclusão da Copa do Mundo de 2014, o Morumbi saltou para a condição de estádio de uma semifinal e aparece como favorito para receber a abertura do evento.
As mudanças no projeto do estádio e a articulação política da diretoria são-paulina e do governo estadual foram essenciais para alterar o cenário.
A nova proposta de reforma da arena paulista para o evento foi apresentada ontem à Fifa, que recebeu positivamente as alterações feitas pelo clube.
Antes, a entidade dizia que o Morumbi receberia no máximo um jogo de oitavas de final. Agora, a avaliação é que o estádio já está credenciado para ter uma semifinal do Mundial.
"Dos primeiros relatos que ouvi, foi muito positivo", comemorou o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio.
Só fizeram apresentações Rio de Janeiro e São Paulo por serem candidatas a ter jogos ou de abertura ou final do evento. Está previsto evento similar para Belo Horizonte e Brasília, que também almejam a estreia do Mundial. O estádio carioca está cotado para ter a final.
Só que a arena paulista aparece com larga vantagem para ter a abertura, como sinalizou ontem o ministro do Turismo, Luiz Barreto, depois de seminário sobre a Copa na Assembléia Legislativa paulista.
"Pelas informações que temos no governo, acho que o caminho natural é o Rio ficar com a final e São Paulo com a abertura", afirmou o ministro.
A principal vantagem é a in-fraestrutura da capital paulista. São necessários 45 mil quartos para hotéis como requisito mínimo da Fifa. São Paulo já ostenta 42 mil disponíveis e tem projetos para atingir a meta.
Segundo Barreto, não há outra alternativa para chegar a esse número no momento.
Brasília está praticamente descartada para abrir o Mundial após o escândalo do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acusado de corrupção. E Belo Horizonte tem cerca de 20 mil quartos, incluindo o entorno.
Dentro do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 não há posição oficial sobre o assunto. Mas, internamente, o Morumbi é já colocada à frente dos concorrentes na disputa pela abertura por causa da
maior infraestrutura da cidade.
Mas havia ressalvas no comitê por conta das restrições da Fifa ao estádio foi citado que o Mineirãojáteria começado as obras. Mas as resistências têm caído dia a dia, como ontem com a apresentação da terceira série de mudanças do projeto.
"O primeiro posicionamento da Fifa foi vetar o Morumbi. Depois, disse que Morumbi, quando muito, poderia receber as oitavas de final e as quartas de final. Agora já estamos aptos a receber a semifinal", analisou o presidente do comitê de São Paulo para a Copa do Mundo de 2014, Caio Carvalho.
"Daqui a um, dois anos, estaremos habilitados para receber a abertura também. Para quem estava com um estádio que não servia para nada, estamos trilhando um bom caminho."
Ontem, foram apresentadas mudanças em relação ao anel inferior de assentos no Morumbi, que foi estendido para mais perto do campo, ocupando espaço da pista de atletismo.
Ainda houve alterações nos setores para parceiros comerciais e VIPs, que se tornou mais concentrada dentro do clube. E também foram realizadas alterações no entorno do estádio.
Atualmente, o São Paulo conta com escritório de arquitetura e outras consultorias para aprimorar seu projeto, que antes era tocado apenas por pessoas ligadas ao clube.
REPRESENTANTE FALA EM ATRASO
O consultor jurídico do Comitê Copa-2014 Bruno Le-wicki admitiu "pequenos atrasos em obras de estádios", mas disse que isso não "representa problemas porque há folga". Até março, as reformas têm que começar.
A diretoria são-paulina esforça-se para reduzir entre R$ 14 milhões e R$ 15 milhões o custo final da reforma do Morumbi.
E o valor a ser pago a um banco para intermediar empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).
Ao formatar o pacote do Mundial, o organismo estabeleceu que o os clubes donos de estádios Atlético-PR, São Paulo e Inter seriam obrigados a contratar um banco. O financiamento ocorrerá de forma indireta, com pagamento de mais juros e taxas.
O empréstimo do BNDES para Estados é em torno de 8% ao ano. Para os clubes, seria de 10,5%.
O São Paulo pegará R$ 150 mühões emprestados, do total de R$ 240 milhões da reforma. O cálculo da diretoria é que a intermediação acrescentará R$ 15 milhões ao custo total.
"Estamos batalhando para não ter a necessidade de banco repassador", disse o presidente são-pauli-no, Juvenal Juvêncio. "Tudo para a Copa-2014 terá solução diferente."
O gerente do Departamento Urbano e Regional do BNDES, Rodolfo Torres, disse que a intermediação é para dividir os riscos entre o BNDES e outro banco. Falou que não sabia dizer se há possibihdade de mudança na regra, (rm)