A cadeia produtiva do aço está pronta para as demandas da Copa 2014. Mas a questão vai além disso: todo o setor, da produção à distribuição, passando pela formação profissional, se prepara para dar mais um salto nas suas competências. Quem ganha é o País.
Um conjunto de ações adotadas nas últimas décadas garantiu à cadeia produtiva do aço um processo de amadurecimento e modernização, assegurando ao setor o preparo necessário para atender à demanda esperada em função da Copa de 2014. Pelo lado da indústria brasileira do aço, desde a conclusão do processo de privatização em 1994 até 2004, foram investidos US$ 14 bilhões para modernização do parque industrial e eliminação de gargalos.
A partir de 2004, os investimentos foram direcionados para o aumento da capacidade instalada, que passou de 28 milhões de toneladas para as atuais 41 milhões de toneladas. Foram investidos neste período US$ 12 bilhões. A previsão era investir paioutros US$ 40 bilhões até 2012. Com a crise econômica, a partir de setembro de 2008, esses projetos estão sendo reavaliados. Entretanto, dois novos projetos continuam em andamento visando ampliar a oferta de produtos para o mercado interno.
Seja qual for o montante, fica a certeza de que capacidade produtiva está mais do que pronta para atender às muitas obras que invadirão as cidades por conta de 2014. “O desafio será mobilizar o País dentro de um rigoroso cronograma de obras. É a grande oportunidade de um salto de modernidade com o maior uso do aço gerando benefícios ambientais”, afirma o presidente do Instituto Aço Brasil, Flávio Roberto Silva de Azevedo.
Segundo o presidente, ainda não é possível detalhar previsões da demanda em função da Copa de 2014. O certo é que o evento pode mudar a cultura na construção civil e impulsionar a aplicação de sistemas industrializados em aço no País. No Brasil, o consumo per capita de produtos siderúrgicos hoje se mantém na faixa dos 100 kg/ hab. Em 2008, houve um aumento de 7,6%, passando para 127 kg/hab. Apesar do aumento, o indicador fica muito abaixo do registrado em países como México (148 kg/hab) e China (332 kg/ hab). Cerca de um terço da produção de aço no Brasil é exportada porque o mercado interno hoje não a absorve.
“O consumo per capita de aço reflete o nível de investimento e infraestrutura de um país”, destaca Azevedo, citando a China como comparativo. Em 1980, quando o Brasil consumiu 100 kg/ hab de produtos siderúrgicos, a China registrava 34 kg/hab, volume quase dez vezes inferior ao atual. O presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica, José Eliseu Verzoni, salienta ainda que a construção civil é o setor no qual o aço apresenta o melhor potencial de crescimento.
Para atender ao mercado, a indústria produtora de aço ampliou a oferta de produtos para a construção em aço: perfis laminados, tubos com ou sem costura, além de perfis soldados e perfis formados a frio. Quanto ao envelope do edifício, ou seja, a cobertura e o fechamento, há oferta de vários tipos de aços inoxidáveis e de aços revestidos, tais como galvanizados, liga alumínio-zinco e pré-pintados.
O presidente do Instituto Aço Brasil (IABr) define que o País
experimenta um movimento de transição da construção convencional
para a industrialização. Prova disso é que há investimentos
crescentes em produtos industrializados, como os steel decks, painéis pré-fabricados para fechamento, drywall, shafts, tubulações
flexíveis de polietileno e de CPVC. Além disso, novas tecnologias
e sistemas construtivos estão se multiplicando nos canteiros de
obras, como os componentes com pilar misto e light steel framing.
A capacitação também pode ser notada na formação dos engenheiros e arquitetos. “A cultura da estrutura metálica é relativamente nova no Brasil e os profissionais estão incorporando estes conceitos ao seu dia a dia”, explica o presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), Marcos Monteiro. Ele conta que a revisão da norma técnica ABNT NBR 8800, que trata de projetos e execução de estrutura em aço, foi um grande passo para harmonizar os conceitos e torná-los mais amigáveis aos projetistas, historicamente acostumados com o concreto. A nova versão entrou em vigor em setembro de 2008. “A partir daí, o corpo técnico ficou muito mais confortável para trabalhar com o aço”, acredita Monteiro. Ele afirma, inclusive, que o trabalho com aço é atualmente apoiado no uso de computadores e a adaptação rápida dos fornecedores de software foi determinante para a absorção dos novos conceitos.
“Tecnicamente, não existe restrição ao uso do aço”, assegura Monteiro, para quem o desafio é incorporar o uso das estruturas em aço à rotina da construção civil. Ele acredita que o salto a ser dado com a Copa de 2014 traz a vantagem do aumento da escala, com conseqüente queda dos preços. “As estruturas em aço têm tudo para se tornarem ainda mais competitivas.”
Para disseminar conhecimento sobre o uso do material, o Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), entidade que tem o Instituto Aço Brasil como gestor, dedicou atenção especial à identificação das necessidades de material técnico. Diversos manuais de construção em aço foram lançados, além da promoção de cursos on line, como Introdução ao Uso do Aço na Construção e Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura, voltados para arquitetos, engenheiros e estudantes que desejam conhecer mais sobre essa técnica de construção que tem crescido nos últimos anos no País.
Pelo lado dos distribuidores também não existem gargalos, informa o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro. Historicamente entre 30% e 40% da demanda por aço é atendida pelos distribuidores, responsáveis por colocar o produto mais perto do mercado. “O setor está pronto para atender ao crescimento da demanda”, assegura. (M.M.)